
Futebol na Hungria tem um rei e não é o Pelé, “entende”. Ele é baixinho, mas também não é o Romário. Ferenc Puskás (Fêrents Pushkash) é, provavelmente, um dos 5 melhores jogadores da história desse esporte e tem o maior número de gols por jogo de todos os tempos. Ele comandou o (quase) imbatível time húngaro da primeira metade dos anos 50 que, na copa de 54, além de dar uma surra no Brasil, por muito, mas muito pouco não levou o caneco pra casa. No entanto, depois da revolução comunista de 56, muitos dos jogadores, incluindo o próprio Puskás, abandonaram o país, abrindo caminho pro Brasil se tornar campeão em 58 e deixando a Hungria no limbo futebolístico em que se encontra até hoje.
Seja para compensar esta frustração, seja por um complexo de inferioridade histórico, eles decidiram diminuir as linhas do campo, a bola e os jogadores e adotaram o pebolim, ou totó, como esporte nacional. Parece brincadeira, mas é sério.
Em um primeiro momento você pode até achar que a paixão esportiva deles é o futebol de verdade ou até mesmo pólo aquático. Pura ilusão. É o pebolim mesmo. TODO bar tem uma mesa
com um monte de viciado jogando, e olha que o que não falta aqui é bar. E não é aquele jogo fluído com roleta, bola quicando a todo momento, não. É todo cheio de técnica, fintinha, firula, um tédio. Domínio-finta-gol. Domínio-finta-gol. Para um zero à esquerda no pebolim como eu (seria um munheca-de-pau?), não dá a menor graça jogar com os nativos, eu nem vejo a cor de bolinha. Domínio-finta-gol. Puts, perdi de zero de novo. Sorte que aqui não precisa passar por debaixo da mesa. Inconformado com a verdade factual exibida nas mesas de pebolim e esperançoso que ainda deveria haver alguma salvação a este povo pagão, resolvi conferir in loco a catástrofe futebolística que assola este país há tantos anos. Lá fui eu ao estádio ver o jogo entre Hungria e Holanda. Acabei descobrindo que a tal catástrofe está mais para praga bíblica. PelamordeDeus. O time de várzea do campinho atrás do terminal de Barão é melhor que a seleção húngara. O frangeiro goleiro deve estar procurando a bola do primeiro gol até agora. Os holandeses passearam com um fácil 4x0. Na verdade, isso representa uma evolução em relação ao jogo ocorrido alguns meses atrás, um humilhante 6x1. Ainda há uma luz no fim do túnel, ainda que seja fraca, opaca, em desvanecimento.
Bom, pelo menos eles podem dizer que são bons no futebol, ainda que em miniatura.

Reparem no uso da canela para o domínio de bola. Quanta finesse, quanta categoria!
*update: a luz parece estar ficando mais intensa. No jogo de volta, em Amsterdam, a Hungria fez 3(!) gols na laranjada, mais do que nossa seleção canarinho na Copa do Mundo da África. Só que a Holanda fez 5. É, não foi dessa vez...